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Bravo, bravo, bravo!!! E não é por qualquer comemoração ou aniversário. É sim pelo excelente e fora de comum que foi hoje o programa "E se fosse consigo?". Se já é um programa que sigo assiduamente, hoje fiquei vidrada do princípio ao fim.

Quem acompanha estas minha andanças aqui pelo sapoblogs, sabe que tenho uma filha surda e que estamos ambas a aprender Língua Gestual Portuguesa. A surdez faz parte das nossas vidas há quinze anos, com todas as dificuldades e conquistas que isso acarreta. Logo este programa tocou-me em particular por abordar um tema que me é sensível. 

Uma das coisas que reparei desde o início e durante todo o programa, foi que foram muito poucas as pessoas que deixaram mostrar a cara, assim como as que se mostraram minimamente disponíveis para ajudar ou sequer tentar ajudar a pessoa surda. Vergonha talvez? Se não foi, devia. 

Neste programa percebem-se uma série de erros crassos que se cometem vulgarmente quando se fala de surdos ou da comunidade surda: 

  • Surdos-mudos não existem. Os surdos têm cordas vocais e emitem sons, riem, gritam, etc. Os que não falam é porque não aprenderam a oralizar por não ouvirem e são muito poucos. Por sua vez os mudos não são surdos, só não falam. 

  • Linguagem gestual não existe. No nosso País é uma língua (Língua Gestual Portuguesa) e foi reconhecida como tal pela Constituição da República, em 1997 (Diário da República – I Série A – n.º 218 – 20/09/1997 – Lei Constitucional)

  • Cada País tem a sua língua gestual, tal como a língua falada, até a brasileira é diferente da portuguesa.

  • A comunidade ouvinte considera a surdez uma infelicidade. Não é de todo, é apenas uma condicionante na vida dos surdos, tal como que usa óculos, ou uma prótese, ou coisa que o valha.

Também constatei alguns factos que me surpreenderam negativamente, como por exemplo o Instituto Nacional de Reabilitação não ter informações ou dados concretos sobre a comunidade surda, como por exemplo quantos são, onde estão, faixas etárias, se trabalham, etc. E é assim que se deliberam leis e medidas entre outros assuntos sobre os surdos. 

Neste programa deram a conhecer também reais dificuldades que a comunidade surda enfrenta rotineiramente. Uma ida ao hospital, finanças, segurança social, ou qualquer outro serviço público. Como é difícil até o acesso ao ensino. Devia ser obrigatória a formação de profissionais dos serviços em LGP, mesmo que básica, seria o suficiente para comunicar. Já no que respeita à saúde deveria ser um direito ter um intérprete tal como é ter assistentes sociais e coisas que tais. Porque não LGP como língua nas nossas escolas? É tão válida como inglês, francês, espanhol ou outra. 

Os surdos têm de se adaptar à sociedade. Porque não o inverso? Isso acontece com alguns tipos de incapacidade ou deficiências. Colocam-se rampas para incapacidade motora, avisos sonoros para cegos, por exemplo. Infelizmente falta inclusão na sociedade em geral, mas os surdos então são vistos quase como aliens. Os surdos não mordem nem são esquisitos, só fazem muitas caretas e expressões porque isso está associado aos gestos.

Já a educação dos surdos é quase um comédia negra. São obrigados a saber ler nos lábios, embora muitos até o aprendam instintivamente (como aconteceu com a minha filha), são alunos com necessidades especiais educativas, mas os profissionais nesta área são parcos e o número de aulas semanais, quando as há, é mais parca ainda. A educação dos surdos devia ser tão importante como a dos ouvintes. É na e da educação e assenta e depende o futuro de todos os indivíduos. Dela depende o seu percurso e capacidade profissional. Os direitos, tal como os deveres deveriam ser para todos, mas essa é uma realidade longínqua para os surdos.

Pela primeira vez em televisão, no nosso País, houve um debate protagonizado na íntegra por pessoas surdas. Acredito que com este programa as pessoas surdas deste País se tenham sentido ouvidas. 

E para a Sic, não vai nada, nada, nada? Tudo!!! Parabéns pelo "E se fosse consigo?" de hoje pelo tema que abordou.

O programa inteiro pode ser visto aqui.

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publicado às 23:06

Casados Primeira Vista.jpg

Confesso que estou fã deste programa. Já tinha visto o Married at First Sight UK e Austrália, onde houve casos de sucesso nos casamentos. Loucura ou não, eu gosto muito, aliás não perco um episódio. Se por um lado me custa a entender o que leva aquelas pessoas a casarem com desconhecidos, só baseado na escolha de "especialistas", por outro penso e porque não? Relações improváveis podem ter tudo para dar certo. E por mim falo, que estou casada há seis anos com o aquele que era, já depois de nos separarmos, o melhor amigo do pai dos meus filhos. 

No Casados à Primeira Vista há toda a envolvência de um programa que proporciona experiências extraordinárias, que leva ao romance, tudo o que pode ajudar a cimentar uma relação, assim haja vontade. E depois há que cair na realidade e ser capaz de levar o barco a bom porto, que a vida não são só rosas, bem se sabe. Aguardo com expectativa os próximos programas a ver o aquilo dá.

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publicado às 12:22

Refiro-me à nova rubrica do Jornal da Noite da SIC, Passadiço Vermelho, que vi na segunda-feira. Antes tivessem ficados quietos, quando tiveram tal ideia. Um jornal que gosto tanto de ver, aliás eu no que toca a informação só vejo a SIC ou SIC Notícias, e agora com uma rubrica que em nada tem a ver com informação. Para este tipo rubrica já há tantos outros programas nos mais variados canais da família SIC, seria mesmo necessário este andar atrás das férias dos famosos? Com tanta coisa a acontecer por esse mundo fora, para quê o "jornalismo" cor-de-rosa num bloco de informação, e logo no principal do dia. Era tudo o que não me apetecia ver depois de um dia de trabalho de quase doze horas, às vezes mais. Tenho uma vantagem, como chego a casa sempre tarde e vejo a emissão gravada, ando para a frente estes minutos.

Um personagem de outros tempos dizia: "Não havia necessidade", acho que diz tudo.

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publicado às 13:52

Que na SIC se faz muito e bom jornalismo já se sabe, mas e o que dizer desta nova rubrica Momentos de Mudança? Deveras impressionantes, de deixar qualquer um impressionado. O da Alexandra e do seu HIV é um murro no estômago de muito boa gente. O que dizer daquela força de vontade e de viver, daquela garra que hão-de fazer dela uma grande mulher na certa. A luta contra o preconceito e a descriminação, ainda para mais quando se enfrenta tudo isto vivendo num Alentejo profundo. Para ver e rever sempre... afinal problemas todos temos, infelizmente uns muito mais graves que outros. E se a minha cruz de leve não tem nada.

 

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publicado às 21:51


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