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Que a tragédia aconteceu por ali. Um ano depois ainda há tanto por fazer, tantas vidas que tentam a cada dia reerguer-se do que ali aconteceu. Eu que não estive lá, que não fui afectada directamente, ainda hoje me custa a crer que aquilo aconteceu e como aconteceu. 

Continuo a perguntar-me, como naquela altura, como é que se sobrevive a tamanha desgraça? 

Vejo cada reportagem que assinala este ano passado com uma emotividade inconsciente, comovo-me com cada história, com cada relato. 

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 foto de Adriano Miranda no jornal Público.pt

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publicado às 13:53

Se a tragédia brutal dos incêndios, particularmente o de Pedrogão Grande, já era grave o suficiente, infelizmente conseguiu ficar ainda pior. A maldade humana é inqualificável. Assaltaram casas das povoações que foram obrigadas a fugir do fogo. Como é que são possíveis tais actos? No meio da desgraça e aflição de quem fugia para salvar a vida, outros houve que invadiram e roubaram as suas casas. Sem palavras... Fiquei em choque, mais ainda que em choque já estava com esta tragédia.

Pena tenho que não tenham sido engolidos pela força do fogo, esses sim sem dó nem piedade. Mas a esses pelos vistos nada acontece. Muitas daquelas pessoas ficaram sem nada, foram vidas inteiras que se esfumaram literalmente. Continuo a questionar-me, como é que se sobrevive a isto?

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publicado às 11:53

... enfrentar a realidade dos dias com as suas rotinas de sempre, depois da tragédia do incêndio que começou por ser de Pedrogão Grande e que acabou por ser também de Góis e Pampilhosa da Serra e sei lá mais. Horrível.

Mesmo não sendo vista nem achada, porque a mim nada de mal me aconteceu, esta terrível tragédia perturbou-me. Senti, numa tristeza imensa, as dores daquela gente que perdeu tudo ou quase, dos familiares daquela gente que morreu num sofrimento imensurável, talvez só comparável ao de quem ficou sem os entes queridos. Foi-me difícil continuar a minha vida com as coisas de todos os dias, quando a vida daquelas aldeias e das suas gentes desabou. Não consigo esquecer as imagens do incêndio, os testemunhos sofridos de quem o viveu na primeira pessoa. Nunca mais nada será como antes. Não me sai da cabeça a pergunta "como é que se sobrevive depois de tamanha tragédia?". A vida continua é a ordem natural das coisas, bem sei.

Enoja-me o jornalismo de pasquim, e mais ainda o diz que disse, o é e não é, o jogo do empurra das autoridades competentes e dos governantes. Por outro lado é muito bom saber que não há povo como o português que se chega à frente quando é preciso ajudar os outros.

Pedrogão Grande ficará na minha memória, é impossível esquecer algo assim.

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publicado às 17:58

Acabei de ver as últimas notícias sobre este incêndio brutal em Pedrogão Grande. O número de vítimas não pára de aumentar, já estão contabilizados 57 mortos e 59 feridos, muitos dos quais em estado grave, casas completa ou parcialmente ardidas, estradas cortadas, um fogo com quatro frentes, completamente fora de controlo. Pessoas que ficaram presas dentro das suas viaturas a tentar fugir das chamas, é inimaginável o que hão de ter sofrido. Outras nas estradas a pé, outras nas suas casas, impotentes, o fogo chega e pufff, não há nada a fazer. Que horror! Se a mim, que estou cá longe e nada tenho a ver com este incêndio, isto me afecta, o que dizer daquelas pessoas que ali sofrem perdas imensuráveis. Como é que se sobrevive a uma situação destas? O que vai ser daquela gente? Sejam profissionais ou civis. As imagens são avassaladoras.

Ontem passámos o dia fora em passeio e estávamos completamente longe desta realidade, sem acesso a quaisquer informações. Só já tarde da noite soubemos o que se passava porque uma tia do meu marido, em cuidado connosco, ligou a saber se estava tudo bem e para termos cuidado no regresso. Nunca nos passou pela cabeça que a tragédia fosse desta dimensão. Na viagem de regresso passamos por vários carros de bombeiros que, entretanto, sabíamos que iam reforçar os meios no local. Já em casa vi as últimas notícias da noite, arrepiei-me até ao tutano, tal como agora, a ver as imagens da tragédia, quase em lágrimas perante a dimensão da mesma. 

Eu que passei o dia tão feliz com o calor imenso que se fazia sentir, 43 graus e eu como peixe na água (não sou normal, bem sei). Calor imenso esse que associado à trovoada deu origem ao incêndio. Sinto até alguma culpa por gostar tanto de calor. 

Bem hajam os Bombeiros deste país, homens de coragem que enfrentam as chamas neste incêndio brutal. Neste e em todos os outros. Bem hajam todos os profissionais envolvidos nesta tragédia, que trabalham para apoiar quem mais precisa. Que não lhes faltem as forças e a coragem. 

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Imagens Adriano Miranda no jornal Público.

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publicado às 10:49


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