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O dia começou com um cafézinho na café/padaria da vila. É engraçado perceber como nas aldeias se vive numa realidade tão diferente da minha/nossa, malta da cidade. Todas as pessoas se conhecem e cumprimentam, todos nos falam e cumprimentam como se fossemos dali. Gosto desta forma de vida das aldeias.

Munidos do mapa turístico que trouxemos do posto de turismo fomos até Arganil fazendo o Circuito do Alva, passando por Vila Cova de Alva, Barril do Alva, Côja e Secarias. É curioso como no mapa tudo parece tão longe entre localidades e afinal é tudo relativamente perto (às vezes logo ali ao pé). Outra curiosidade é que cada localidade, cada vila ou aldeia tem uma dimensão muito menor do que se imagina. Não tinha mesmo noção. De Arganil continuámos o nosso percurso seguindo pelo Circuito do Açor que começou no Santuário do Mont'alto, seguindo por Folques, Torrezelas, Selada das Eiras, etc. Nem sempre foi fácil seguir este percurso por falta de sinalização. Depois de visitar da Fraga da Pena e chegados a Monte Frio, ao invés de seguir o resto do circuito de regresso a Avô, fomos por uma estrada alternativa, pouco frequentada e onde conseguimos fazer umas fotografias fantásticas. Percorremos quilómetros e quilómetros sem ver um único carro. Que percurso incrível, mais paisagens indescritíveis, aldeias e lugarejos cada um mais característico que o outro. No meio de todo aquele xisto trouxemos duas placas para fazer decoração em casa e vimos imensos castanheiros. De salientar o sem fim de praias fluviais nas localidades por onde passámos. O ponto alto do dia foi a Fraga da Pena, um pequeno paraíso escondido na Serra do Açor. 

O nosso País é mesmo maravilhoso de conhecer. 

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publicado às 23:43

Depois do percalço de início de viagem, tudo corre bem e a viagem continua. O grande objectivo desta viagem era conhecer Piodão. Sendo esse o destino do primeiro dia, após a chegada. Fica relativamente perto de Avô, onde estamos hospedados, ainda assim o dia começou cedo, pois até lá, havia muito para ver e a merecer toda a atenção.

Iniciamos o percurso na Aldeia das Dez que tem paisagens lindas, é uma aldeia miradouro devido à sua localização no cimo da serra. Dali até Piodão as paisagens são absolutamente incríveis. Parámos inúmeras vezes para apreciar as ditas e tirar fotografias. A vontade era de parar ainda mais. É de uma beleza indescritível, qualquer foto que tirei fica a anos luz da beleza que tento retratar. Não me lembro, em quarenta e dois anos de vida, de ver algo assim.

E então Piodão? Bem, Piodão surge de repente, entre curvas e contra curvas, na imensa beleza daquelas paisagens. Parece uma aldeia de brincar, com as suas casinhas encosta acima. Tal como já li e ouvi aquela aldeia é inigualável. Depois da primeira vista da aldeia o percurso até lá continua a ser incrível. E a aldeia? Idem aspas. Percorremos a aldeia por ruinhas e ruelas, subidas e descidas, tudo lindo de morrer. Deslumbrada que estava até perdi os meus óculos de sol quando quis molhar as manitas num ribeiro que por lá corria.

Pontos negativos, estava imenso calor (até para mim) e não arriscámos os caminhos pedestres até Foz da Égua e proximidades. Tive pena. Optámos por ir de carro, mas não deixámos de visitar, isso é que não. Outro ponto negativo, e para mim grave, a falta de limpeza nos wc's. Estavam mesmo muito maus, o cheiro então era nauseabundo. Um local como Piodão devia oferecer melhores condições.

À saída da aldeia optámos por fazer um caminho diferente, mais paisagens deslumbrantes.

Não quisemos fazer o almoço em Piodão porque estava a abarrotar de gente. Por aldeias e aldeolas não vimos onde comer, foi uma pena, ia na expectativa de uma refeição num qualquer restaurante mais típico ou pitoresco. Devido ao avançado da hora acabamos por comer, já no regresso à Avô, em Oliveira do Hospital. Entretanto no final de tarde a opção foi aproveitar a excelente localização da nossa casa, com a praia mesmo à porta. Ao contrário de ontem, não me atrevi a tomar banho, molhei só o pézinho. Estava vento (ventinho, vá) e a água estava fresquinha. Não fosse uma praia fluvial. 

Foi um dia e tanto. 

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publicado às 23:17

Faz hoje uma semana, vamos daqui a pouco à missa de sétimo dia. Acho que é das coisas mais difíceis para uma mãe é ter de anunciar a morte de um ente querido aos seus filhos, ainda por cima o avô paterno, o único que conheceram. É dilacerante vê-los sofrer numa tristeza imensa e nada poder fazer. Ficar só ali, abraça-los, conforta-los foi o que me coube fazer, escondendo ou disfarçando, vá que também a mim me custou esta morte. Mesmo já não estando junta com o pai dos meus filhos, senti muito a morte deste avô, a quem eu também aprendi a chamar avô, quase como se meu pai fosse. Aliás durante muitos anos a ele me dirigi como Pai Rosa, mas já depois de me separar do pai dos meus filhos passei a chamar-lhe avô. A separação não foi fácil e passou a fazer sentido assim. 

Nos últimos anos a sua saúde era frágil, os quase 85 anos de idade, o Parkinson de que sofria desde que o conheço, para isso contribuíam, mas ainda assim lá ia andando, fazendo a sua vidinha o mais normal possível, ainda saindo quase todos os dias para o jornal e dar dois dedos de conversa com o grupo de amigos de longa data, que tem vindo a diminuir e que agora teve mais uma baixa. 

O avô estava internado já há quinze dias, depois de ter passado dois dias bastante enfraquecido em casa, quase sem se conseguir mexer, falta de força, cansaço extremo e quase sempre a dormitar. Situação que culminou com uma paragem cardíaca em casa, foi reanimado pelos técnicos do Inem ainda em casa e depois uma e outra vez já no hospital. A acrescer um AVC, alguns órgãos a entrar em falência, dificuldades respiratórias, enfim um quadro pouco animador. Para ele a morte foi o melhor com tanto sofrimento, tadito. Ainda assim deixou passar o dia do pai, dia que fiz questão de levar a Bárbara a visitar o avô e faleceu na madrugada do dia seguinte. É tramada a vida, faz-nos passar por provações tremendas para o fim ser o mesmo. É o que tem de ser, diz o ditado que Deus escreve direito por linhas tortas. 

Desde há algum tempo que eu fazia questão de explicar aos meus filhos esta fragilidade do avô, que ele estava doente, que a idade já era alguma e que não ia cá estar sempre. Não poucas vezes lhes disse para aproveitarem bem o tempo que passavam com os avós, para não irem para lá só com a loucura da televisão e pouco mais. De alguma coisa valeu porque foram mudando de atitude. Conversavam mais com os avós, jogavam dominó e loto com a avó na hora da sesta do avô e televisão era para ver a série Hawai Força Especial com o avô. O que o senhor adorava aquele bocadinho numa cumplicidade avô e neto. Pequenos nadas que faziam aqueles avós tão felizes. Quando ele foi internado e perante o quadro que se afigurava fui preparando, ou pelo pelos tentava, os meninos para o pior, acho que isso ajudou um bocadinho na hora de lhes dizer que o avô tinha morrido. Fizeram questão de comigo ir velar o avô assim como de acompanharem bem de perto as cerimónias fúnebres. Estão mesmo uns crescidos estes filhos, a maturidade com que passaram isto, deixou-me impressionada, tal como a mensagem que escreveram a acompanhar as flores que levámos ao avô.

"Avôzinho,

Voa até às estrelas e descansa em paz. Nós adoramos-te e ficarás para sempre no nosso coração, foste um super avô, eras um exemplo para nós, estavas quase sempre feliz.

Com saudades imensas dos teus netos"

 

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publicado às 09:51

Ontem fiz uma das coisas mais difíceis dos últimos tempos na minha vida. Vi-me obrigada a entregar as últimas recordações que tinha do meu Avô. O que aquilo me custou… que horror, fartei-me de chorar. Acho que por muitos anos que viva, nunca vou esquecer a última imagem com que fiquei. Bem sei que são apenas objectos, mas para mim tinham um valor sentimental incalculável. Foi em último recurso, mas teve mesmo de ser.

Mais uma vez me pergunto: porque é que tem de ser tudo tão difícil? Eu não quero que a vida sejam só facilidades, mas e uma folguinha aqui para este lado, não?

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publicado às 19:36

Que semana #2

10.08.12

Desde 3ª feira que tenho o fantasma da doença do século a pairar bem por perto, tão perto como nunca tinha estado. Confesso que fiquei sem saber o que dizer, o que fazer, como reagir, o que pensar inclusivamente. Vi e ouvi gente crescida chorar como se crianças fossem. A incerteza, o medo, a angústia de quem é mais chegado. Os próximos dias são fundamentais, tudo se irá decidir, a ver vamos o que aí vem. No meio de tudo isto, no dia 8 fez 10 anos que a minha pessoa especial, o homem da minha vida morreu. O meu avô. Não consegui deixar de pensar ainda mais nisso com estes últimos acontecimentos. Estamos a menos de mês e meio do casamento e nós sem cabeça para pensar nisso, nem tratar dos pormenores que ainda faltam.

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publicado às 23:44

Avô

01.02.12

Mais um ano que passa e eu não posso deixar de me lembrar. O homem da minha vida, se fosse vivo faria anos hoje, 94 mais precisamente. O meu Avô, a minha pessoa especial, o meu pai, o meu exemplo de homem, de vida. Mais um ano, e este ano já vão dez desde que partiu. Meu avô, meu porto de abrigo, meu aconchego, meu tudo.

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publicado às 23:37

O meu Avô

01.02.10

O meu avô faria hoje anos. Quantos não importa, será uma data que me recordarei a cada ano que passa da minha vida. O meu avô não era só meu avô, era o pai que nunca tive. Se sou quem sou hoje a ele o devo. Foi como um pai que sempre o vi, embora sempre tivesse sido o avô "Manel", como lhe chamavam, e que por acaso me irritava um bocadinho, afinal o nome era Manuel. Coisas minhas... Foi para ele que fiz todas as prendas do Dia do Pai, ano após ano. Foi ele que me ensinou, que me criou e educou, sempre com uma paciência que mais ninguém tinha. Éramos os melhores amigos, cúmplices de brincadeira e de coisas sérias também. Era com ele que trocava desde as mais intimas confidências, às conversas mais banais. Foi a pessoa que sempre me apoiou em todas as decisões que tomei, mesmo quando às vezes não concordava tanto assim. Foi a ele que antes de a mais alguém eu fazia questão de apresentar todas as pessoas que para mim eram importantes, desde os amigos/as, aos melhores amigos/as, aos namorados quando os tive.

O meu filho é Manuel em homenagem aquele que foi um grande homem, que foi a pessoa mais importante da minha vida. Espero que ele algum dia consiga fazer justiça ao nome que tem  e lhe saiba dar o devido valor.

Era o "avô velhinho" como lhe chamava a Bárbara e que ele ainda conheceu.

Avô...o meu avô.

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publicado às 21:33


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