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... e a cinco dias do País entrar novamente em estado de contingência, a pandemia volta (se é que alguma vez deixou de) a estar assustadoramente real. Eu continuo a ter a terrível sensação que estou a viver dentro de um filme ou um sonho mau a que não vislumbro o fim num horizonte, mesmo que longínquo. Estou mesmo cansada. Cansada destas regras, desta forma de trabalhar, de viver, de conviver, de existir até. Cansada de ter receio do que o futuro nos espera. Nem nos piores sonhos pensei que passado este tempo a situação ainda estaria assim. A vontade que eu tenho de fazer um fast foward até 2021 (quiçá 2022) na expectativa de a vida voltar a ser normal. 

Cá em casa podemos dizer que somos uns privilegiados. Eu continuei sempre a trabalhar e ninguém perdeu rendimentos mesmo quando em lay off (marido e filha que entretanto já trabalham a 100% também). Nem imagino o desespero e a aflição de quem ao contrário se vê sem saber como pagar contas e assumir responsabilidades. Ninguém da família ou amigos ficou doente, outra bênção. Se tem sido fácil ainda assim? Não, de todo. Foi difícil estarmos todos fechados em casa todos os dias durante as 24h do dia. Foi difícil ver e acompanhar o restante ano lectivo do mais novo. Profissionalmente fui das mais sacrificadas, caiu-me quase tudo em cima, as minhas colegas têm crianças pequenas e enquanto elas ficaram em casa até Julho, eu regressei ao batente a dezoito de Maio. Ainda que em teletrabalho, quando se trabalha numa entidade "pública" o peso do papel é brutal e a sobrecarga de trabalho para por o teletrabalho em dia foi avassalador. Desde o confinamento e até às férias que trabalhei no mínimo doze horas diárias e muitas outras aos fins-de-semana. Era suposto ser adoptado um regime misto entre teletrabalho e trabalho presencial, contam-se pelos dedos de uma mão os dias que consegui ficar em casa. Vi as férias reduzidas para uma semana apenas, sem nunca desligar completamnte, e voltei a trabalhar duro novamente. Impus-me menos horas, isso é verdade, e quero ver se consigo manter. 

As aulas começam na próxima semana e não estou nada descansada com isso. Quero acreditar que as escolas vão dar o seu melhor para proteger os alunos e tentar mitigar a propagação do vírus. O que se irá conseguir com as novas medidas de contigência anunciadas hoje pelo Primeiro-Ministro? A ver vamos, como diz o cego.

No geral e mesmo com tanta coisa que se passou nestes meses, senti que tudo foi um flash e tenho a sensação que a vida está em suspenso desde o dia 13 de Março. Lá vai tempo em que acreditava que iríamos ficar todos bem. É impossível ficar bem depois do tsunami que esta pandemia foi para o mundo inteiro. Há coisas que não se esquecem, há feridas que mesmo de pois de passarem deixam marcas para a vida toda. Assim será com esta pandemia. Quero muito que o tempo passe mais depressa ainda até ao ponto em que estes meses sejam só uma memória de um capítulo mau das nossas vidas.

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publicado às 23:01


2 comentários

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De imsilva a 11.09.2020 às 09:09

Hoje é o aniversário de algo que marcou um "antes" e um "depois".
Sem dúvida, que estamos numa época em que essa divisão se vai sentir ainda mais. A história do planeta tem um marco em 2020.
Só precisamos de sobreviver com um mínimo de riscos e de danos mentais e emocionais.
Beijinho
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De nada acontece por acaso a 11.09.2020 às 22:26

Tão absorta que ando com esta situação de covid-19 e pandemia que vivemos que quase repassava ao lado o dia de hoje. Até me surpreendi, como é que não me lembrei de algo que me marcou profundamente e que ainda me arrepia quando me lembro?
Este ano será outro daqueles que, por mais de 100 anos que viva, nunca me irei esquecer.
Beijinho

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