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Li este texto nos Dias Úteis, o blog do Pedro Ribeiro, que sigo com imenso gosto. O comentário ao texto, e ao Pedro, saiu-me naturalmente.
"Ser director do Metro é uma responsabilidade e um desafio, mesmo que seja apenas por um dia. Estou habituado a sons e a minutos, a palavras ditas, não tanto a palavras escritas , paginação, número de caracteres, hora de fecho.
Mas ser o director do Metro, na edição dedicada ao dia do Pai, torna a coisa mais leve, curiosamente. Porque é um território de grande conforto, e mesmo aconchego, para mim.
Se há coisa que eu sei que faço bem, é esta coisa de ser pai. Mesmo.
Sinto, aliás, que é algo que me corre nas veias, de uma forma muito particular, como se, antes dos meus filhos terem nascido, eu já fosse, de alguma maneira, Pai sem saber.
Não se é Pai de um dia para o outro. Nasce-se pai. Está em nós, naquilo que somos e vamos ser. Esta forma de olhar os filhos com igual encantamento e sentido da imensa responsabilidade. Nasce-se com este respeito pela Infância, por essa altura da vida que tudo define para o que virá depois.
Os dias em que os meus filhos nasceram estão gravados na minha memória como se tivesse sido agora mesmo. Estive lá, cortei cordão umbilical, e cumprimentei-os à chegada, “Olá, eu é que sou o teu pai”, em lágrimas boas, a 14 de Julho de 2000 e a 25 de Junho de 2003, na Maternidade Alfredo da Costa.
Brincar com os meus filhos, ajudá-los nos TPC’s, dar-lhes a mão quando estão com medo, cozinhar para eles, rir com eles, adivinhar-lhes ansiedades e alegrias mesmo sem ser preciso dizer nada, estar presente em todos os momentos mágicos que aquecem a existência, seja num jogo de futebol do puto, seja a ouvir a miúda a cantar músicas de Natal na Escola. Ou então a falar dos irmãos que hão-de vir, qualquer dia.
Não falte à festas do dia do Pai, nunca! E saiba que o dia do pai expande-se, o dia do pai são muitos dias, são todos os dias. E digo isto, mesmo estando este ano a sofrer de uma certa angústia: amanhã vou estar a trabalhar, e só vou estar com os meus filhos mais tarde.
Não imagina o que isso me afecta!
Um poema de José Carlos Ary dos Santos, que me é muito caro, diz que um filho “é ver-se um homem prolongado, das raízes da terra até ao céu. Meu filho, minha vida, és meu sangue e meu caminho, meu pássaro de carne, meu amor”.É isso mesmo.
Eu sou um Pai que ama cada segundo que passa com os seus filhos, que se comove com os dois, e que agradece a Deus, todos os dias, a sorte de ser Pai de duas crianças tão extraordinárias.
O Gonçalo, implacável ponta de lança, uma criança espertíssima e espantosa que me maravilha com o seu coração imenso, o seu olhar malandro, a sua vivacidade, curiosidade que é sinal de inteligência, tremenda inteligência emocional, instinto de Amor em estado puro!
A Mafalda, super aluna, coreografa de danças à frente ao espelho (“Ò pai, estás aí a espreitar não estás?”), aqueles olhinhos de meiguice, aquela forma tão Pai de olhar para dentro, aquele elo única entre as filhas e os pais. Saber que, quando se abraça a mim, está naquele abraço todo o amor que há neste mundo.
Desde que nasceram que temos um ritual nas viagens de carro: eu estendo a mão para o banco de trás e eles agarram-me a mão, à vez, às vezes rindo outras nada dizendo. Eles sabem. Quero aquelas mãos nas minhas, pelas tantas viagens que vamos fazer pela vida fora. Aquelas mãos nas minhas são a vida. Ser Pai faz de mim uma pessoa melhor, a cada dia.
Hoje, dia do Pai, quero pedir aos leitores do Metro para olharem para os vossos filhos, quando eles não estiverem a ver. Hoje. Olhem para eles, a crescer, a agarrar-se aos dias, a aprender a viver. Não são maravilhosos? São, de certeza.
Se não está agora junto dos seus filhos, pegue no telemóvel e ligue-lhes. Se eles estão aí consigo, dê-lhes um abraço e um beijo, de coração, e diga-lhes como eles são extraordinários. Sim, agora. Os afectos são sempre urgentes.
Saiba o leitor estar sempre à altura desta dádiva que é ser Pai. Saiba desfrutar deste privilégio exigente, desta oportunidade de construir felicidade, num amor incondicional e eterno, saiba estar presente quando isso é imprescindível, e perceba que um Pai ensina, mas só é Pai a sério se souber aprender com os filhos. Não desperdice esta oportunidade de se sentir feliz. E saiba estar grato por ela.
Parabéns, Pai, está a ir bem."
Estou sem palavras, literalmente lavada em lágrimas. Isto sim é ser PAI. Por mim que nunca tive pai e pelos meus filhos que têm um pai que pouco mais faz do que cumprir calendário, este texto tocou-me bem no fundo do coração num ponto muito, muitíssimo, sensível.
Da criatura excepcional que foi o meu avô, que fez o melhor que soube o papel de pai, nunca me esqueço ou esquecerei. Era para ele que fazia sempre os meus trabalhos da escola para o dia do pai.
Ao grande Pedro Ribeiro, que é uma pessoa que muito admiro, um imenso bem haja! Grande PAI.
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