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R.I.P.

16.06.13

Esta quarta-feira, dia 12, o meu sogro perdeu aquela que era uma batalha perdida desde o início do combate. Infelizmente e tal como acontece na maioria dos casos perdeu a luta contra o cancro, com tumores vários, que travava desde Agosto do ano passado. Nós de casamento marcado, quando questionamos alterar a data, dadas as circunstâncias, foi o prmeiro a dizer que não, que ficava tudo como estava. Ainda bem que assim foi, ele esteve muito feliz nesse dia. Maldita doença.

Embora agora estivesse muito doente e desde que se soube do estado da doença, que era muito grave, esta criatura manteve a postura como ninguém. Tratamentos e mais tratamentos, exames e mais exames, consultas e mais consultas e ele sem uma única reclamação, sereno e resignado até. Foi um senhor até ao fim, excepção feita às duas últimas semanas em que a coisa desandou de vez e ele perdeu muito a noção da realidade, tornando-se agressivo e revoltado até, devido à localização de um dos tumores do cérebro. Quantas pessoas há que reclamam só porque sim não dando valor ao que a vida lhes dá (aqui refiro-me à minha mãe e à sua mania das doenças, que só faz é vitimar-se, e os nervos que isso me dá, só me apetece dar-lhe dois gritos a ver se cai na realidade).

Foi impressionante o número de pessoas que apareceram no velório e funeral, era uma pessoa muito querida por todos, amigos e familiares, até colegas de infância e conhecidos, impossível ficar indiferente. Eu que sou o membro mais recente da família, era a que menos convívio teve e não deixo de sentir a morte deste senhor. A todos fica a lembrança da sua boa disposição, as brincadeiras, era amigo do seu amigo, sempre disponível e pronto a ajudar.

Tinha sempre histórias para contar, muito foi o que passou ao longo da vida, desde os tempos em África, o retorno a Portugal e tudo o que passou por cá. Era um gosto ouvi-lo contá-las. Trabalhador incansável, amigo e colega dedicado, quando finalmente achou que podia aproveitar a vida com a reforma, logo lhe calhou em sorte ficar doente. Não teve tempo, “que chatice isto agora” foi o lamento que lhe ouvi dizer.

Os últimos três dias então foram muito difíceis, mas foi melhor assim, ele agora descansa, sofrimento acabado. À minha sogra que ao fim de quarenta e três anos de vida em comum e tudo o que passaram, restam as memórias, as lembranças de tudo o que só a eles diz respeito. E a memória essa fica sempre lá.

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publicado às 16:35


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